Punch-Out – Wii
Não será despropositado dizer que Punch-Out é a aposta da Nintendo para entreter os jogadores veteranos neste verão. Colorido, activo, e crucialmente, jogável em sessões rápidas, é o jogo ideal para uma época em que a maioria das pessoas passa mais tempo fora de casa. Mas desengane-se quem pensa que se trata de um jogo superficial.
Este é o primeiro Punch-Out que jogo. Nunca tive a possibilidade de ter uma NES ou SNES, e quando surgiu a oportunidade de adquirir os outros Punch-Out através da consola virtual da Wii, não tive tempo nem particular interesse. Mas não foi sem expectativas que comecei a jogar Punch-Out. Afinal de contas, é um jogo Nintendo. Quando penso num jogo Nintendo, penso num jogo em que a acção mais simples é um prazer de realizar.
Este não desaponta. Dar um murro simples é intuitivo e gratificante, e o murro alto exige um pouco mais de coordenação entre a mão esquerda e direita, mas faz-se. Aliás, Punch-Out é o primeiro jogo de que tenho memória em que desejei ser ambidextro. O jogo de braços pode limitar-se a pequenos movimentos – decisão sábia, mantendo o controlo preciso e sucinto – mas após uma boa hora de combates os membros começam a pesar.
A mecânica adere àquele princípio de jogo tão clássico: um pequeno naipe de acções que permitem um rápido entender das regras de jogo, mas que sendo combinadas e usadas situacionalmente, abrem um leque de opções muito vasto a quem o procurar.
De facto, todos os adversários do jogo podem ser derrotados de múltiplas formas – o básico padrão de reconhecer a animação que antecede cada golpe, desviar e contra-atacar será como a maioria das pessoas lentamente progredirá através do jogo, mas os mais astutos, e que mais pratiquem, descobrirão pequenos tesouros como momentos em que um único golpe no sítio certo pode resultar num KO, ou janelas de oportunidade entre animações que permitem esmagar o adversário com uma combinação infinita.
Inicialmente muito difícil, o meu erro foi tomar Punch-Out como um jogo de luta. Essa é uma componente, claro, mas a necessidade de aprender e reconhecer padrões de ataque dos adversários aproxima-o mais das lutas de boss de jogos de plataformas clássicos, como Mega Man ou Sonic. A destreza manual é muito importante, mas inútil sem uma boa cabeça e olho vivo.
Punch-Out é assim um excelente exemplo de clareza e direcção de design. Ao invés de adicionar a típica tralha que os jogos de luta costumam ter para se gabarem de mais substância, Punch-Out complementa a sua campanha principal com modos de exibição em que temos vários desafios (derrotar adversários anteriores de formas particulares) e uma genial campanha de defesa do título, em que os adversários da campanha principal têm as suas fraquezas mais óbvias eliminadas.
Em suma, não é um jogo muito variado, mas é único naquilo que faz, e aprimorou a arte de o fazer até à perfeição, e fá-lo sob a capa de uma apresentação colorida e polida. Também é um jogo muito bem-disposto; os (inocentes?) estereótipos raciais aplicados aos lutadores de várias nacionalidades nunca deixaram de me fazer esboçar um sorriso.
A dificuldade acima da média pode deixar de parte os menos persistentes, mas para todos os que gostem de videojogos que ponham a sua mecânica à frente de tudo e sem uma ponta de flacidez, este jogo é o vosso jogo de verão.
10 – Essencial

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