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Divinity II: Ego Draconis – Curiosamente oldschool

Submitted by Luís Magalhães on Quinta-feira, 7 Janeiro 2010One Comment

Divinity II: Ego Draconis é um jogo perdido no tempo. No outro dia um amigo disse-me que “Divinity II é o jogo que Gothic III deveria ter sido.” Tudo bem, não tivesse Gothic 3 sido lançado em…2006.

Divinity II parece velho, e ainda mais quando no ano de 2009 tantos jogos empurraram os limites técnicos para além do esperado. A sensação preponderante ao longo das minhas sessões de jogo com Divinity II é que estou a jogar um bom jogo que me escapou à anos atrás.

É que não é um jogo nada bonito, nem tecnicamente competente, sequer. Os gráficos (na versão Xbox 360, que a ENE3 recebeu para testar) são dos piores que vi desde o lançamento da consola, e mesmo assim a animação é perra, cheia de soluços mesmo nos espaços mais fechados – e perturbante nos enormes cenários exteriores.

Parece claro que a produtora não ponderou bem a transição para consola – descarreguei a demo da versão PC, e foi como se tivesse começado um jogo completamente diferente. Continuava longe de ser o jogo mais bonito do ano, mas os gráficos deram um salto de qualidade de várias magnitudes, e corria muito mais suavemente. Tudo bem, a Xbox 360 já não é uma consola propriamente nova, mas há dezenas de jogos que provam que consegue muito melhor do que isto em mãos mais competentes.

Tem muito mérito, então, que apesar disto, continuo com vontade de jogar o jogo. O combate, mais focado na acção, sofre um bocado com os soluços na animação, mas os elementos do sistema de RPG que se encontram por baixo da acção são dos mais sólidos que já passaram pela consola da Microsoft. De facto, Ego Draconis é uma relativa raridade: um RPG tradicionalmente PC numa consola.

Cada demanda tem geralmente várias formas de acabar, e nem sempre positivas: ao contrário de RPGs mais recentes, em que é impossível ficar a perder, neste jogo as nossas acções têm consequências que nos são, por vezes, prejudiciais. Um caso que achei interessante foi quando um vendedor me pediu para cobrar uma dívida a um soldado. Falando com o soldado, ficou claro que o vendedor era corrupto, e assim decidi tomar o partido do inocente. O resultado foi que o vendedor se chateou comigo e aumentou os seus preços – efectivamente eu paguei de forma irrecuperável pela minha posição moral, algo que muitos produtores de jogos parecem ter medo de fazer. É certo, ganhei algo da parte do soldado, mas a demanda ficou marcada como falhada e o inventário daquela loja tornou-se-me inacessível.

Regra geral, há muitos caminhos alternativos a tomar, e a partir daí nota-se que há algum mérito na habilidade – quase exclusiva ao jogador – que ler as mentes das personagens, que nos ajuda a descobrir alguns destes caminhos mais obscuros. Numa outra decisão de design de jogo genial, usar esta habilidade custa aquele que é indubitavelmente o recurso mais valioso nestes jogos – pontos de experiência. Abusar desta habilidade poderosa não é aconselhado, já que significará que a nossa personagem não subirá de nível.

Portanto, se tivesse que classificar imediatamente Divinity II: Ego Draconis de alguma forma, seria como intrigante. Parece-me claro que a versão para PC é merecedora da atenção de qualquer jogador que se sinta atraído por jogos complexos com mundos robustos, mas na versão Xbox 360, que é a minha, ainda estou para descobrir se a qualidade da mecânica do jogo é suficiente para me manter interessado face aos grandes problemas técnicos.

Por agora, estou motivado para continuar.

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