Clash of the Titans: The Video Game
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Será uma boa ideia ter um sistema de protecção por companhia?

Submitted by Pedro Dionísio on Segunda-feira, 1 Fevereiro 2010One Comment

As empresas fazem tudo para combater a pirataria ou que pelo menos impedir que se propague muito. Mas que soluções têm para combater este problema que existe há imenso tempo?

Cada empresa – sem especificar a indústria já que abrange o cinema, televisão (séries, programas, filmes directos para DVD), videojogos, música, software para computadores e telemóveis… – usa o seu próprio sistema (os conhecidos DRM ou Digital Rights Management) ou usa através de um método ou mecanismo “virtual” de uma outra empresa como protecção de cópias ou que determinam um limite de distribuição ou instalação já dentro dos seus próprios produtos, seja fisico (vindo dentro no DVD/CD) ou virtual (online). Mas neste caso vamos seguir o mercado de jogos para PC, exemplos mais directos: os DRM das próprias empresas ou através das próprias “lojas” online como Steam, Good Old GamesImpulse ou Direct2Drive OU software como StarForce, SecuROM ou Tagès. Nem toda a gente concorda que são uma boa solução para a pirataria e nem sempre são eficazes mas as empresas fazem tudo para que não saiem constantemente prejudicados e por vezes introduzem certas regalias como instalações ilimitadas nos jogos para PC.

Mas também há decisões que não se percebe bem do quê ou de quem eles estarão a querer se protegerem. O caso mais actual destes sistemas/métodos é o da Ubisoft que declarou recentemente que abandonaria o software StarForce nos jogos para PC (decisão que já pratica algum tempo) e terá o seu próprio método de protecção. Ou seja, apartir dos próximos lançamentos (The Settlers 7: Paths to a Kingdom e Silent Hunter 5 serão os primeiros e especula-se que a versão do Assassins Creed II para PC e TrackMania 2 poderão ser outros), todos os seus jogos terão de serem registados e autenticados através da internet no site da editora, criando uma conta no Ubi.com. Isto é algo que já acontece noutras companhias como a Electronic Arts em que em alguns dos seus jogos permite ao consumidor ter um número especifico de instalações no computador. Mas isto não fica por aqui.

Os títulos da Ubisoft terão de estar constantemente ligados à net, esteja o consumidor a jogar nos modos a solo ou multi-jogador, de forma que esteja sempre a autenticar o jogo em questão. Mas o problema não fica por aqui; de acordo com a FAQ em relação a serviços online para PC, se alguma vez a vossa ligação à net fôr abaixo, o jogo tem uma pausa e fica nesse sentido até a ligação voltar, podendo ainda regressar ao ponto onde o jogo parou. Onde está o problema neste aspecto? Se não tiverem qualquer ligação à net, não poderão jogar, nem nos modos a solo dos próprios jogos. Isto é, se a ligação não recuperar ou fôr péssima ou se não tiverem rede no local onde estiverem ou se preferirem jogar sem net, não poderão jogar qualquer jogo que tiverem este método já que nem é colocada qualquer opção de jogar offline (esta opção será apenas colocada através de uma actualização caso a Ubisoft encerre os seus servidores). Por outro lado, a Ubisoft também oferece instalações ilimitadas, a hipótese de poder gravar tanto nos seus servidores como no PC e não é preciso de autenticar através do DVD.

Mas agora fica a pergunta; como é que este método irá convencer o consumidor a comprar o produto de uma companhia e não aderir à pirataria? Para aqueles que tiverem net, seja em casa ou móvel, não será um grande problema mas tendo em conta que nem todos têm internet ou que nem todos preferem jogar com ela ligada, isto não poderá ser uma solução. Aliás, esta solução poderá ainda afugentar os jogadores de PC de longa duração e os potenciais jogadores. Parece que a “experiência” da versão PC do Prince of Persia vir sem qualquer DRM teve uma influência para ter esta decisão. Será mesmo uma medida contra a pirataria ou “mais” uma forma de convencer os consumidores a aderirem as consolas e esquecer o PC?

Durante anos, o mercado das consolas tem vindo a crescer imenso e o mercado do PC tem estado a sofrer com este aumento (já devem ter lido e ouvido frases como “PC gaming está a morrer” durante anos) e que tem estado a morrer mas se repararmos nos últimos anos, até tem estado a recuperar. E se virmos no periodo do Natal do ano passado, até tem vindo a ter um bom sucesso, ainda mais com a ajuda de promoções fornecidas pelos serviços online como o Steam ou o D2D (o próprio Steam revelou ter tido imenso sucesso em 2009), e sem esquecer um dos maiores jogos de 2009, Call of Duty: Modern Warfare 2.

A pirataria continua a existir por três simples razões: porque ela é fácil (basta ter um programa ou conhecer alguém), porque é gratuita ou barata se fôr por outros meios como comprar por terceiros (feira da ladra, desconhecidos que vendem filmes gravados em DVD-R ao pé de uma estação de comboios ou noutra zona…) e porque ela está disponivel para todos (qualquer pessoa pode “adquirir” qualquer produto através da net, por amigos ou por terceiros). Acrescento que qualquer outra razão não será mais que uma desculpa, algo como dizer que fazem pirataria para combater o capitalismo das empresas que recebem milhões.

Que outras soluções estas empresas têm? Em vez de aderir a sistemas que limitam um número de instalações ou DRM, tendo em conta que elas são diferenciadas por cada empresa, porque não aderir a certos sistemas próprios de serviços online como o Steam? Uso o Steam como um exemplo (não o único) porque eles permitem aos jogadores terem os seus jogos (o serviço é da Valve e refiro aos seus jogos, embora tenham outros de outras companhias) associados numa conta mas sem limite de instalações e ainda poder jogar sem estar ligado constantemente à net (um modo offline). Também tem os seus problemas mas tem aqui mais ideias que outras companhias podiam aproveitar. Ou então porque não baixar os preços dos seus produtos ou entrar em periodos de promoções (compre três, pague dois ou por uns dias vender um produto a baixo preço)?

Não são soluções perfeitas e nem sequer existe exactamente uma resposta correcta para esta questão já que a pirataria está e estará sempre presente mas sempre são melhores do que impôr medidas obrigatórias ao consumidor, medidas que ainda tratam tanto o actual como o futuro consumidor como um potencial “criminoso” mesmo se estes não aderem à pirataria. Por mais soluções que criem, não irão diminuir a pirataria até convencer que aquilo que oferecem não só beneficia o consumidor como ainda lhe convença a adquirir legalmente o produto. Aliás, esta medida da Ubisoft poderá aumentar a pirataria, bastará arranjar um patch e “todos” poderão jogar sem ligar à net ou até afastar ainda mais os jogadores dos produtos da editora. Até os mais famosos jogos como World of Warcraft e Call of Duty: Modern Warfare 2 também são piratiados.

É claro que não podemos culpar estas empresas de se protegerem com estes sistemas porque a causa deste problema provêem de piratas que continuam a copiar e distribuir sem a autorização e os direitos e licenças das companhias. É claro que não estou a dizer nenhuma novidade mas também temos de “apontar o dedo” a certas soluções porque há certas decisões que não fazem sentido para os consumidores e quem sofre não são só nós mas também as editoras. E vocês, que outras soluções poderia ajudar o combate contra a pirataria ou pelo menos para não afastar os jogadores, sejam actuais ou os próximos, destas “políticas”?

Um Comentário »

  • Dark Wolf disse:

    Na minha opinião, baixar os preços poderia ser uma medida que atenuaria a pirataria.

    A verdade é que não estamos num país rico, estamos num país com um mau estado económico, com a maior parte da população com problemas económicos (para não falar a nível global), e esperem que as pessoas queiram gastar uns belos 60€ ou mais em troca de muitas vezes nem 6 horas de diversão? Mais valia juntar mais uns trocos e ir passar um belo dia à Isla Magica, e o jogo logo se procurava na net.

    E, na minha opinião, os mais afectados nem são as produtoras e editoras de jogos. Pensem nos videoclubes. “Sacar” um filme da net, sem qualquer protecção ao contrário de alguns jogos, não custa nada e ainda se fica com eles para sempre; e a verdade é que, sinceramente, já não vejo um videoclube aberto há anos (ainda menos com as recentes ofertas da Meo e Zon e afins).

    Acho que, sinceramente, uma medida tão extrema como essa, de obrigar o usuário a ter o pc ligado à net, essas sim farão cair as vendas a pique. Se for um plano maléfico para as consolas monopolizarem o mercado, não contem comigo; a mim ninguém me tira os meus shooters com o meu querido rato, o meu World of Warcraft ou as minhas aventuras gráficas, nem que tenha de ficar a jogar os antigos para sempre xD

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